Cronicão é...
Sávio Pontes
Textos e editoria.
Marcelo Faria
Desenvolvimento e arte.
Cronicat é...
Gisele Cupolillo
Assessoria de comunicação.
23 de abril chegando, feriado no Rio de Janeiro, dia de São Jorge. Ou melhor, deixemos a hipocrisia de lado, todos sabem que 23 de abril é dia de Ogum! Aí inventaram esse tal de sincretismo religioso pra mascarar a macumba latente e deu no que deu...

Porque São Jorge é chamado de Ogum:
Antes de ser santo, Jorge era um paraíba cabra-macho, muito do valente. Um belo dia, o chamaram pra resolver um problema que assolava uma cidadezinha lá na lua: um dragão.
Jorge foi encarar aquela situação montado em seu jumento e, ao avistar a fera, não titubeou, desceu da mula, digo, do jumento e, após sacar de sua peixeira, cravou uma espetada profunda na barrigada do bicho.
Enquanto o dragão ainda estribuchava, Jorge virou-se para todos os cidadãos lunáticos que o aplaudiam e comemoravam a derrota daquela besta-fera e, com um tom de coragem ímpar, pôs-se mais uma vez à disposição daquele povo oprimido perguntando:
-Tem mais ogum aí?
Mesmo não havendo mais nenhum dragão para ser sacrificado, Jorge foi eternamente lembrado pelo feito e tornou-se o único santo com milagres realizados fora da Terra.
Fim.
Nota do editor: Ogum São Jorge, outros São Judas, o Tadeu e o Apóstolo.
Com vocês, o sincero depoimento de um corno realista. E eu que imaginei que já tinha visto de tudo...
Nota do editor: acho que temos um novo Príncipe da Cornualha...

A tragédia tinha todos os contornos de uma história que agradaria ao grande público: um caso de amor mal resolvido, crises de ciúmes, a beleza de duas jovens vítimas, a pouca idade dos envolvidos. Até mesmo estapafúrdias comparações com o clássico “Romeu e Julieta” e com o filme “Titanic” foram feitas. Com este curto enredo, emissoras de televisão viram uma chance de aumentar sua “bilheteria”. Findo o espetáculo e constatado seu fracasso, acusações são trocadas e a vida segue. De quem seria a culpa?
Se analisarmos os fatos da maneira mais imparcial possível veremos uma sucessão de erros técnicos e de posturas, não só da polícia de São Paulo, mas também dos meios midiáticos e de todos os envolvidos. Após o desfecho trágico do caso, muito se tem discutido sobre a melhor tática operacional que deveria ter sido adotada pelos policiais. Mais uma vez, falsos especialistas surgem aos montes a dar depoimentos apelativos aos quatro ventos e, como já é comum em nosso país, agora se procuram candidatos a culpados, numa busca de expiação, e nada se fala sobre responsabilidades. Evocam-se outros episódios traumáticos, como o seqüestro do ônibus 174 e, comparando-se as atitudes e posturas dos representantes de cada categoria envolvida (policiais, jornalistas, criminosos inexperientes), percebe-se que, pelo menos neste tipo de seqüestro, não aprendemos com nossos próprios erros.
As visões que cercam os acontecimentos relacionados às manifestações violentas de criminalidade apresentam, de maneira geral, larga dose de conteúdo passional. Opiniões de jornalistas e até mesmo de vítimas de crimes que tenham gozado de alguma repercussão passam a usufruir um falso tom “especializado”. Opiniões pessoais são apresentadas como teses, seguindo-se o mesmo raciocínio que nos permite contar com o incrível número de 180 milhões de técnicos de futebol em épocas de Copa do Mundo. Não se acolhem, no mais das vezes, noções acadêmicas e estatísticas, e sim atitudes e táticas emotivas. Procedimentos e posturas de tal monta acabam forçando a polícia a agir ao sabor do clamor público, cheio de paixão e irracionalidade e, quando em muitas das vezes o resultado da ação policial sem estrito respeito às formalidades legais dá errado, é o executor da ação, ou seja, o policial - que agiu de maneira “não-ortodoxa” para atender a anseios sociais ou hierarquicamente superiores - quem acaba por ser culpado sozinho pelo erro.
Pôde-se notar que, primeiramente, houve fragilidade nos mecanismos decisórios, a Polícia sequer conseguiu isolar a área do seqüestro. Em diversas ocasiões durante o desenrolar das negociações se teve a oportunidade de abater o tomador de reféns. Mas os policiais não quiseram arcar com as conseqüências, em muito devido ao fato mesmo de haver transmissão televisiva ao vivo de toda a operação. Caso Lindemberg fosse abatido a tiros, é bem provável que víssemos seu executor – diga-se, um policial no exercício de suas atribuições – sendo processado, talvez até mesmo condenado por homicídio. Seria de se esperar ainda uma enxurrada de críticas pela morte de um “jovem”, como assim ele foi tratado pela imprensa durante todo o evento. A dramatização e a espetacularização do caso transformaram o seqüestrador em um mero “jovem apaixonado”, ignorando-se toda confusão mental que o assolava e todo o potencial lesivo de um homem armado e cercado pela polícia, mantendo duas reféns. A imprensa brasileira foi uníssona com o tratamento do seqüestrador, encarando-o com beneplacência e compaixão acima do normal. (...)
Deu no G1:
“'Vira-lata' Obama fala sobre futuro cão da família”
“Eleito disse que cachorro sairá de um abrigo.
'Lá tem muitos vira-latas, como eu', afirmou o futuro presidente dos EUA.”
e ainda:
“Barney, cão de George W. Bush, morde dedo de repórter na Casa Branca”
“Momento do ataque foi registrado em vídeo por outro jornalista.
Enquanto isso, crescem especulações sobre o futuro cão dos Obama."
Barney, um legítimo Scottish Terrier de cor preta teria atacado um integrante da imprensa porque estaria insatisfeito com a veiculação de notícias afirmando que Obama será o primeiro negro a residir na Casa Branca, ignorando sua passagem de quase oito anos por aquela residência. Segundo ele, Obama seria apenas o primeiro vira-lata daquele território. E só isso.
A assessoria de comunicação da Casa Branca negou qualquer tom racista ou preconceituoso nas atitudes de Barney, informando ainda que o repórter atacado teria dado motivos à agressão ao desrespeitar o perímetro de segurança da família presidencial e por isto pode ser mandado para Guantánamo para interrogatórios.
O Conselho Internacional dos Vira-Latas (International Pooches Council) divulgou nota de parabenização a Barack Obama e de reprimenda a Barney. No documento, assinado pelo presidente da instituição, o vira-lata-galã Bernardo, astro da Disney, o Conselho adverte para “os perigos da discriminação racial entre os cães, gatos e quaisquer outros animais, neles incluídos os seres humanos”. Entidades felinas de todo o mundo emitiram notas com ronronados de apoio aos vira-latas. Procurados, os Kennel Clubs, tradicionais redutos de cães de raça, não se manifestaram.

Nota do editor: o Sr. Cronicão tem a esclarecer que é um exemplar da raça Perdigueiro, porém nunca se valeu de seu pedigree para qualquer fim; esclarece ainda que se considera e sempre se considerou um vira-lata “de coração, focinho e alma”.
A imprensa noticiou que Barack Obama afirmou que o cachorro que levará para a Casa Branca será um vira-lata, como ele próprio. A declaração do futuro presidente dos Estados Unidos à primeira vista soa como apenas uma brincadeira mas, se analisarmos simbologias envolvidas, perceberemos que Barack Obama é bem mais astuto do que possa parecer e que numa simples declaração sobre raça de cachorros transmitiu uma belíssima lição que, infelizmente, muitos sequer perceberam.
Num contexto cultural como o americano, de “vencedores” e “perdedores” (winners e loosers), só importam os “melhores”. Mas o que é ser “melhor”? Ser “melhor” é chegar mais longe em carreiras, é ter mais poder aquisitivo, ter mais influência ideológica e fortalecer estas características sempre que possível. Como os próprios termos utilizados denotam (“vencedores” e “perdedores”), e como é de se esperar num sistema capitalista, as dinâmicas da sociedade são vistas como partidas de um grande jogo. E como em qualquer disputa, só os primeiros lugares interessam. Alguém já disse que “o segundo lugar é o primeiro dos últimos”, e esta filosofia parece imperar no Império - com o perdão do trocadilho.
Até aqui tudo bem, se não fossem as conseqüências a que raciocínios como estes conduzem. Num jogo se quer sempre vencer (o que pode significar até mesmo a garantia da própria existência) e para tal acabam sendo buscadas estratégias que conduzam ao topo do ranking; além de justificativas para o fato de se estar ou permanecer nas posições mais altas. As habilidades precisam ser demonstradas e, caso elas não sejam suficientes, será adotada a tática do convencimento. Em outras palavras, como crianças que justificam aos coleguinhas mais pobres que possuem uma bicicleta mais nova e mais bonita porque são mais inteligentes e merecem mais, ou porque simplesmente seus pais são “melhores”, os “jogadores sociais” passam a adotar o discurso da superioridade, ignorando-se (propositalmente nalgumas das vezes) até mesmo o passado. Assim chegamos rapidamente à casa do tabuleiro em que aparecem o racismo e diversos outros tipos de preconceitos, como a xenofobia por exemplo. Esquecem-se facilmente as conjunturas históricas que levaram negros a ocupar posições sociais mais baixas e menos qualificadas e se passa a entender que eles são inferiores. O mesmo raciocínio se aplica a imigrantes estrangeiros de diversas nações pobres e também aos seus filhos, já cidadãos americanos. (...)
Mais uma vez o site do cão teve acesso em primeira mão, digo, em primeira pata, a um furo jornalístico do mundo animal! Conseguimos a primeira foto do novo cãozinho do Ronaldo! Com vocês, o Ronaldog!

Segundo informações extra-oficiais, o Fenômeno teria dado queixa na delegacia da Barra da Tijuca e estaria interessado em processar criminalmente a pet shop em que comprou o dentuço animalzinho pois, quando pagou, achou que se tratava de uma fêmea...
Passado o constrangimento inicial, Ronaldo quis o dinheiro de volta e jurou que só gosta de cachorras, alegando que foi induzido a erro quando apresentado ao animal – cujo nome original era Andrea.
Procurada, a loja em que o negócio foi feito afirmou que "a fama de levar gato por lebre de Ronaldo já é velha conhecida de todos" e que Andrea assim foi batizado por ser oriundo de um canil italiano:
“-Na Itália é comum homens se chamarem Andrea ou mesmo Danielle”, disse Darcy de Souza, responsável pela loja carioca.
Até agora não há informações sobre como Ronaldo teria confundido o “membro” de Andrea com uma teta avantajada, nem está confirmado se Darcy de Souza é homem ou mulher. Mas, pelo visto, pouco importa...
Nota do editor: Pensou em jogar no bicho? Nada de apostar no cachorro, porque vai dar veado na cabeça...