Sávio Pontes
Textos e editoria.
Marcelo Faria
Desenvolvimento e arte.
Gisele Cupolillo
Assessoria de comunicação.
26/9/2008 21:48:50
Deu na Folha:
“Jegue é preso em flagrante acusado de roubo no Egito”

Segundo o jornal paulista, o simpático e (nada) “inocente” animal teria sido detido após surrupiar milhos de uma plantação. Seu comparsa, digo, seu dono, conseguiu se livrar das grades pagando fiança de R$17,00.
Conclusões:
1- Além de jegue ele é burro, pois bastava alegar “furto famélico” pra sair dessa fria;
2- Além de jegue e burro, ele é duro, pois não tinha nem R$17,00 pra “sair de rua”;
3- Até onde eu sei, jegue e jumento são a mesma “pessoa”. Imaginem um jumento duro com raiva de alguém que o abandonou (no caso, o dono)... A vingança certamente ficará registrada nos anais (sem duplo sentido, por favor!);
4- Se, em vez de tornar-se ladrão, o burrico tivesse conversado comigo saberia que, se até cachorro pode ter site, ele também poderia ter o seu. Assim, conquistaria nossos 17 leitores (que são os mesmos do Agamenon e do Xexéu) e, se eles fizessem uma vaquinha de R$1,00 para ajudá-lo, teria saído imediatamente do curral, digo, da cadeia;
5- Quem é mais burro no caso acima: quem prendeu ou quem foi preso? Prender um jegue? E depois dizem que eu é que sou irracional...
Nota do editor: "De quem é esse jegue? De quem é esse jegue?" (Genival Lacerda, filósofo paraibano)
26/9/2008 20:57:40

Já faz algum tempo que estamos notando um fenômeno estranho no Brasil: tentando reduzir preconceitos e amenizar as conseqüências históricas de séculos de discriminação, o Governo lança medidas que têm efeito contrário. Entre elas podemos citar as políticas de cotas e até mesmo a condenação do uso de expressões “politicamente incorretas” que já foram, inclusive, listadas numa desastrada cartilha.
O problema é entender por quê ações com tão boas intenções naufragam. À primeira vista, pode até parecer que o resultado oposto das ações tem uma origem macabra, enigmática, uma triste ironia. Mas esta impressão não deve passar da primeira vista. A resposta para o insucesso é fácil: não se consideraram as características “brasileiríssimas”; mais uma vez se buscou importar soluções dos “primos ricos”.
A política de cotas para negros em universidades públicas surgiu como parte do programa dos EUA de “ações afirmativas” e estava intrinsecamente ligada ao conceito de “discriminação positiva”. Traduzindo isto: na realidade daquele país, havia flagrantemente uma desproporção entre os números ínfimos de negros nas universidades e o enorme quantitativo real dos mesmos na sociedade como um todo. Além disso, fatos como a existência da Ku Klux Klan e o final trágico do “sonho” de igualdade de Martin Luther King Junior eram evidências de que algo mais drástico deveria ser feito, antes que se presenciasse um conflito com proporções holocáusticas. Dado este cenário, criaram-se estratégias de ataque direto ao racismo, implementando de maneira forçada a aceitação de negros em todas as camadas da sociedade. O chamado Movimento Negro surgido naquela época logo compreendeu que a lógica deveria ser, pelo menos de início, a do enfrentamento e da valorização de suas raízes e sua presença ajudou muito no desenrolar da suavização progressiva das discriminações com ideologias fortes e coesas, como a dos Panteras Negras. (...)
14/9/2008 19:12:22
Deu no G1:
“Juiz chama cachorro para depor como testemunha em caso de assassinato”
'Scooby' teria latido ao ser confrontado com suspeito em tribunal.
Segundo juiz, é a 1ª vez na história que cão 'depõe' como testemunha.

Entidades internacionais de proteção às testemunhas já estão providenciando cuidados especiais para garantir que Scooby não sofrerá represálias. Sua ração está sendo previamente analisada e até mesmo uma bomba em formato de bolinha de tênis já teria sido jogada à sua frente numa tentativa de calar seus latidos antes do julgamento.
De acordo com a sucursal francesa da United Dog Press, até mesmo os Sindicatos de Gatos daquele país teriam manifestado apoio a Scooby e tecido loas à decisão do juiz que, segundo eles (aproveitando a oportunidade para provocar), “racionalmente decidiu-se por dar legitimidade ao latido sincero de um ser irracional”. Mesmo contrárias às alegações de irracionalidade, as entidades caninas européias festejaram o apoio felino.
Vamos cãomemorar! Esta é sem dúvida mais uma vitória da causa cachorritária! Igualdade de cãodições entre cachorros e humanos já!
Nota do editor: Qual a surpresa? Aqui no Brasil tem até cachorro que é editor de site... Au!
14/9/2008 19:10:31

Nesta semana se completaram sete anos desde o ataque às Torres Gêmeas do World Trade Center, no inesquecível 11 de setembro de 2001. Lembro-me com muita clareza daquela manhã em que o mundo parou para ver o cruel sucesso do ataque terrorista mais ambicioso até então já planejado. Minhas palavras eram repetitivas: “prestem bastante atenção, estamos vendo uma mudança radical na História, o mundo não será mais o mesmo.” Quisera eu estar aqui hoje escrevendo o quanto me enganei e o quanto fui exagerado. Mas, infelizmente, eu estava certo. O mundo realmente nunca mais foi o mesmo. Mas será que ele nunca mais será? Ou será que ele sempre foi o mesmo? O que é ser o mesmo? Podemos mudar esta lógica?
O 3º milênio se iniciava com um cenário internacional ímpar, surgia a tão bradada Era da Informação e barreiras (físicas ou não) eram ultrapassadas em velocidades e constância de mudanças inimagináveis. As comunicações avançavam extraordinariamente e tudo e todos estavam cada vez mais interconectados. Nunca houve tanta diplomacia nem tanto comércio global. O capitalismo parecia estar cumprindo sua função globalizante. O problema é que esta função tinha dois lados, e muitos se esqueceram. Por onde passou, o capitalismo se consolidou. E onde quer que ele tenha se consolidado gerou, par-e-passo com suas riquezas acumuladas, muita desigualdade e desproporção de tratamentos, trazendo como conseqüências colaterais intolerância, preconceito, racismo e algo muito mais perigoso: radicalismos extremistas.
Os reflexos capitalistas nas cidades grandes são claríssimos, no Brasil temos vários exemplos como o do Rio de Janeiro com “favela” e “asfalto” dividindo espaços adjacentes e convivendo em falsa paz. O assoberbamento da criminalidade violenta urbana é sem dúvida uma expressão de radicalismos extremistas de excluídos que (talvez mesmo sem saber e certamente da maneira errada) lutam contra todo um sistema econômico internacional. O mesmo tipo de raciocínio, ressalvadas todas as más comparações, é o que explica movimentos como o dos sem-terra, o dos sem-teto e por aí em diante. Estas são amostras claras de reflexos do capitalismo e de sua globalização no campo econômico-financeiro. Mas há algo muito mais complexo que volta e meia nos escapa à compreensão: junto com a integração de mercados, o capitalismo força uma integração de culturas e filosofias altamente conflitivas são expostas face a face causando a mais cruel forma de radicalismo-extremista de que se tem ciência: o religioso. (...)
7/9/2008 18:45:18
Deu no Estadão:
“Mangabeira quer novo órgão para cuidar da Amazônia”
Pelo jeito, considerando as intermináveis brigas interministeriais por conta da causa amazônica, acho que na verdade ele não quer outro órgão completo... Nosso Ministro do Futuro só precisa de mais saco! Mesmo que seja só pra puxar.
De acordo com a proposta de criação da nova estrutura administrativa, Mangabeira será a cabeça do órgão e terá seus membros na palma da mão.
Nota do editor: E tudo isso porque nosso ministro é a favor da derrubada de pau...
7/9/2008 18:11:22
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“A solidão é o mal do século”, repetia um amigo, dia desses. Fiquei a pensar... Será que essas duras palavras correspondem mesmo à realidade? Até que ponto os recursos que temos usado para combater a tal solidão têm sido eficazes? Há tecnologia suficiente para usarmos contra este mal?
Quando vemos a imagem de nossos amigos numa tela, quando lemos suas palavras e percebemos em suas “imagens virtuais” algo fidedigno à sua “imagem real” já estamos a um passo de nos render ao isolamento. “É a solidão hi-tech”, dizem uns, “é mero reflexo da tecnologia”, dizem outros. A falsa impressão de proximidade faz com que abrandemos ou até mesmo suprimamos por longos períodos a saudade daquelas pessoas tão especiais. Quando se trata de gente com enormes distâncias a separar, ótimo! Mas e quando mandamos e-mails com lindas palavras de afeto para nossas mães ou irmãos que estão no quarto ao lado? Ou quando combinamos pela net uma saída após o expediente com os amigos do escritório que estão em baias próximas ou até mesmo em mesas vizinhas? Parece exagero? E é.
A palavra escrita é bem diferente da palavra falada. A entonação, o jeito de olhar, a linguagem corporal, tudo isso conta muito. Você mesmo, ao ler as maltraçadas linhas que escrevo aqui no Cronicamente, a menos que me conheça pessoalmente, não tem como imaginar o tom de minha voz, o sarcasmo característico de meus trocadilhos irônicos infames, ou até mesmo meu jeito meio desengonçado de andar. Tudo isto sou eu, e não apenas as idéias que expresso quando escrevo. Ao buscar substituir o contato pessoal a tecnologia acabou por, em certos casos, mitigá-lo. É assim que nos pegamos por vezes trocando confissões íntimas com gente que nem conhecemos direito. É também desta mesma maneira que amizades eufóricas e vazias se consolidam no “mundo virtual”, ou até mesmo no “mundo real”, como veremos adiante. Pela rede, conhecemos gente nova ou achamos gente antiga. Os jeitos de escrever e de expressar emoções combinam e... pronto! Somos muito amigos! Mas às vezes encontramo-nos pessoalmente com tais “grandes amigos” e mal os cumprimentamos. Por quê? Porque faltou tudo aquilo que mantém ou destrói qualquer relacionamento: convivência.
Há um ditado antigo que diz: “Se queres conhecer de verdade uma pessoa, divida com ela um saco de sal”. É claro que 60kg de sal exigem bastante tempo para consumo, sob risco de vários danos à saúde caso se tenha pressa. E é exatamente esta “hipertensão arterial” agravada pelo sedentarismo que o computador causa que nos enfarta os sentimentos e arrasa nossos corações. Não existe “sal virtual”, assim como não pode existir “amizade virtual”. Falar em “verdadeira amizade” é redundância, afinal, amizade é uma das coisas mais reais de que se tem notícia. Ou ela é amizade ou ela é virtual. Este tipo de engano é que causa sofrimentos reais. As amizades que deixamos abrandar ou sequer possibilitamos florescer por causa do excesso de informática não são nem nunca foram virtuais; são sentimentos reais que mascaramos e deturpamos nos rendendo cada vez mais à armadilha da fácil comunicação. Quando conhecemos gente legal pela internet não devemos pensar nessas pessoas como amigos virtuais. O que sentimos por elas e o que elas sentem por nós é algo bem real. Há inúmeras maneiras de se criar e consolidar um relacionamento, o meio eletrônico pode ser um bom aliado, desde que se saiba tirar o proveito adequado dele. Ele não deve ser o único, mas pode ser um bom instrumento. Não devemos usá-lo em excesso e nem desprezar suas grandes possibilidades apenas por descrédito quanto à veracidade dos sentimentos nele expressados. A palavra chave que devemos buscar nesse caso é a mesma que se aplica a tudo o mais na vida: equilíbrio.
Pra terminar, vale mais uma reflexão: de uns tempos pra cá parece que está difícil conseguir amigos de verdade, não? Aí somos mais uma vez lançados à navegação na internet e nos satisfazemos com todo o enredo que já descrevi acima. Coincidência? Claro que não. É simples como conta de somar: quando julgamos fácil nos “encontrar” com nossos amigos pelos meios eletrônicos damos espaço para algumas pessoas mais próximas fisicamente (como vizinhos e colegas de trabalho) “suprirem” nossas reais necessidades de contato pessoal com outros seres humanos e, mesmo sem perceber, criamos um problema. Sequer conhecemos estas pessoas “próximas” acuradamente e o tempo que poderíamos dedicar a faze-lo usamos com o computador; ou seja, julgamos “reais” nossos amigos “virtuais” e acabamos por tornar “virtuais” nossos amigos “reais”. Eis o paradoxo da amizade virtual.
Resumindo: tanto as pessoas com quem mantemos contatos reais quanto aquelas com quem apenas temos os virtuais podem ser amigos de verdade; o que falta é apenas aquela pitadinha de sal...
Nota do editor: entendeu agora porque raios eu não tenho MSN ou quer que eu te explique pessoalmente?